O Flamengo não aprendeu a lição de 2010 e, no reecontro com a Universidad de Chile, voltou a tomar uma aula de como se joga um mata-mata. Um ano depois de perder no Maracanã por 3 a 2, praticamente selando a eliminação nas quartas de final da Libertadores, o rubro-negro novamente se complicou numa competição internacional. Totalmente dominado pela equipe de Santiago, o time da Gávea perdeu por 4 a 0 no Engenhão e ficou em situação muito difícil nas oitavas da Copa Sul-Americana. A partida de volta será na próxima quarta, na capital chilena, quando será preciso, no mínimo, devolver o placar para levar para os pênaltis. Mas o técnico Vanderlei Luxemburgo já adiantou que nem deve levar todos os titulares para o confronto. Expulso ainda no primeiro tempo, o cabeça-de-área Aírton já está fora. Em outro jogo de ida pelas oitavas de final, o São Paulo venceu o Libertad por 1 a 0, no Morumbi.
Com o atalho da Sul-Americana comprometido, resta ao Flamengo tentar garantir a classificação para a Libertadores 2012 através do Campeonato Brasileiro. Hoje em quarto lugar, a equipe recebe o Santos domingo, pela 31ª rodada, desfalcado de Ronaldinho Gaúho, Thiago Neves e Renato Abreu, todos suspensos. E possivelmente Bottinelli, que deixou o campo no primeiro tempo com suspeita de fratura no pé direita. O Peixe não terá Borges, suspenso.
- Quando a gente pensou em acordar para o jogo no primeiro tempo, já estava 3 a 0. Agora fica difícil até ir para o Chile tentar reverter o resultado. Perder por 1 a 0 já é difícil, imagina 4 a 0. Tem que ser aquele jogo em que dá tudo certo - disse o goleiro Felipe após o jogo, já preocupado com um possível abatimento da equipe contra o Santos.
- Nesta reta final do Brasileiro, isso não pode nos abater. Eu tenho certeza que a torcida, que hoje nos vaiou, vai voltar aqui domingo para nos apoiar - completou o goleiro.
Mesmo com força máxima em campo - apenas Leo Moura e Alex Silva foram poupados -, o Flamengo em nenhum momento foi páreo para a Universidad de Chile. Invicto há três meses e líder isolado do Campeonato Chileno, o clube de Santiago partiu para o ataque tão logo a bola rolou. E não demorou a abrir o placar, aos 13 minutos: após bate-rebate na área, Rojas chutou no canto direito de Felipe.
Nem mesmo em desvantagem o Flamengo acordou. E a reação, que já estava difícil, ficou ainda mais improvável após a expulsão de Aírton por uma entrada criminosa no joelho de Osvaldo González, aos 26. Como a noite não era mesmo rubro-negra, Bottinelli saiu sentindo muitas dores no pé direito, dando lugar a Renato Abreu. Aos 41, Mena ajeitou de cabeça e Vargas, sem marcação na área, fez o segundo dos chilenos. O terceiro saiu dois minutos depois: Vargas aproveitou furada de Welinton na intermediária e avançou com a bola para marcar na saída de Felipe.
Preocupado em não sofrer uma goleada, o técnico Vanderlei Luxemburgo trocou o atacante Deivid pelo volante Maldonado no intervalo. Aos cinco minutos, Castro foi expulso após um toque involuntário com o cotovelo no rosto de Willians. Até em igualdade númerica em campo, o Flamengo continuou envolvido. Aos 16, David Braz agarrou Aránguiz na área, mas Felipe conseguiu defender em dois tempos o pênalti batido por Rodríguez. Quando o Flamengo enfim conseguiu assustar, numa cabeçada de Jael no travessão, a Universidad respondeu de imediato: num contra-ataque espetacular, Rodríguez tocou de calcanhar para Lorenzetti bater de primeira e marcar o quarto, aos 27.